quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Meu envolvimento absoluto

Sei lá quando foi que comecei a gostar de ler. Sim. GOSTAR! Não apenas ler por obrigação. Quando criança adorava os dias na escola de ir à biblioteca. Pegava uns três livrinhos e olhava as figuras. Queria tê-los para mim, levar para casa. Mas nunca fiz isso (que fique bem claro). Aliás, tive uma professora na faculdade que defendia o roubo/furto de livros em sebos e livrarias. Não defendo exatamente isso, mas acho que o acesso à leitura deveria ser (obrigação) muito mais fácil ($$). 

Enfim, lá pelos 15 anos lembro que locava muitos livros na biblioteca. Entretanto, poucos eram os que eu terminava efetivamente de ler. Se achava chato no começo desistia e partia para outro. Com o tempo aprendi que a maioria dos livros são chatos no começo, mas tendem a ficar incrivelmente envolventes do meio para o final. E é por isso que leio leio leio leio. Acho fascinante essa capacidade que o livro nos proporciona de poder imaginar um turbilhão de cenas e pessoas em algumas páginas. 

Sempre me envolvo absolutamente com as histórias! Depois que li os sete livros da coleção Harry Potter, por exemplo, fiquei quase um mês (ou até mais) sem ler nada. Simplesmente não conseguia parar de pensar no que havia terminado de ler. Tudo é sempre muito intenso! A que tem ocupado meu tempo e meus pensamentos, agora, é "Quarto", da escritora alemã Emma Donoghue. Tenho o péssimo defeito de não conseguir resumir uma história sem ter que contar toda ela. Bem, vou tentar não fazer isso com relação à "Quarto". 

Sendo objetiva e fria, "Quarto" conta a história de um menino, Jack, de cinco anos, e sua mãe, a MÃE. Há sete anos essa mulher vive em cárcere privado, aprisionada por seu sequestrador. No "quarto" onde vivem, ela teve Jack, que nunca viu/conheceu nada além do "quarto", nunca viu a luz do dia, e acredita que o mundo existe apenas ali. Apesar de toda a crueldade e obscuridade, ela cria um ambiente feliz para o filho e o ensina sobre as coisas do mundo, de uma forma bem infantil. Ele é um menino esperto, o Super Jack! 

Resolvi escrever sobre isso, pois ontem foi realmente especial. Cheguei a um ponto da história extremamente emocionante. Não contarei o que é, na esperança de que você procure e leia este livro e se emocione tanto quanto eu me emocionei. Fechei o livro, coloquei as mãos no rosto e chorei muito. Bati palmas. Pode isso? Me achei meio idiota e fiquei imaginando o que as pessoas pensariam se eu estivesse, por exemplo, no ônibus (e não em casa, na minha cama). Comemorei! Como se aquilo estivesse realmente acontecendo. Bem que poderia, é verdade. Isso é ótimo, concorda? Viajar, quero dizer. Viajar sem sair do lugar.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Sobre a mais velha

Quando ela tinha 4 anos de idade eu vim ao mundo. Éramos três: nossa mãe, ela e eu. Lembro dos dias quentes nos finais de semana, quando a gente arrumava as coisas e ia para a praia de ônibus. Isso porque de Joinville até as praias não é muito demorado. Era algo bem constante na minha infância. Passar os finais de semana na casa de uma tia da mãe, em Penha, lá onde tem o parque do Beto Carrero (rs). Acho que já mencionei em outro post, mas minha irmã sempre foi minha #superprotetora. Ela nunca magoou alguém. Nunca. E falo isso apostando mesmo. Não lembro de um dia sequer ela ter magoado minha mãe ou eu, falado algo grosseiro ou que me marcasse. Não lembro! Se isso aconteceu algum dia, eu sinceramente desconheço. Ao contrário de mim, que já fiz muito para me envergonhar. Já falei coisas erradas e muitas vezes. Sempre fui meio rebelde. Talvez por minha irmã ser tão "perfeita" o meu ciúme de sempre. Aonde ela ir eu queria ir junto. Nas festas, nas saídas à noite. O que ela ganhava eu sempre queria igual. Não vejo como inveja, mas como ciúme. Ela sempre me amou de uma forma que eu sempre achei que não merecia. Demasiadamente intensa. Um de seus primeiros salários ela comprou roupas para mim. Eu devia ter uns 11 anos e ela uns 15. Sim, ela começou cedo a trabalhar. Isso também era algo que eu invejava, pois só consegui "deixar" que minha mãe me liberasse para o trabalho aos 18. Aliás, foi esse primeiro emprego que a levou para longe de mim. Lá para aquela charmosa, pacata e pequena cidade Rio dos Cedros. Lá ela começou sua vida adulta e estabeleceu toda a vida que tem hoje. Se formou pedagoga e não haveria de ser diferente. Nunca conheci uma pessoa mais paciente que ela. Sempre disposta a ensinar com essa calma. Sinto muita falta da nossa infância, da nossa amizade. Ainda temos, claro, mas com a distância muitas coisas ficam esquecidas. Ela me deu um lindo presente há pouco mais de dois anos: a Emanuela. E logo nos dará uma nova alegria, a outra menininha que está por vir. Esse texto é uma singela tentativa de homenagear quem sempre esteve comigo, independentemente de qualquer coisa. 

domingo, 16 de outubro de 2011

Quanta saudade...

Noite passada sonhei com ele. Quando eu tinha 5 anos, ele costumava me levar até a "escolinha" de bicicleta, me deixava em frente ao portão do lugar e me via subir as enormes escadas até ser recebida pela professora, lá em cima... Eu olhava para baixo e lá estava ele, ainda na bicicleta, pronto para partir ao ver que cheguei bem e segura. Desde que meu avô faleceu, em dezembro de 2008, não lembro de ter sonhado com ele e isso sempre me deixou meio inquieta. Minha avó já dissera que sempre sonha com ele e minha mãe também. Pensei "porque eu não?" Justo eu que sempre fui sobrenaturalmente ligada a ele de uma forma tão pura; que lembro dele quase todos os dias e sempre que vejo um idoso no ônibus ou em qualquer outro lugar. Minha avó gosta de falar que eu era a neta preferida dele. Não sei se acredito muito nisso, pois houve um momento em nossas vidas que talvez ele tenha se decepcionado comigo - pelo menos eu me decepcionei com ele. Mas enfim, isso é assunto para outro post. Hoje a questão foi o sonho, em que ele estava apenas me olhando, de longe. Não sei onde se passava a cena, nem com quem eu estava. Sou péssima para lembrar das circunstâncias de um sonho. Lembro bem que meu avô me olhava, com carinho e curiosidade. Será que é porque o aniversário da minha vó, mulher dele, está chegando, e nós vamos preparar uma festa surpresa para ela? Será que é uma forma dele dizer que está com a gente nos preparativos? Será que é uma forma dele querer participar também? Será que é uma forma dele dizer que estará presente e que sempre esteve este tempo todo? Onde será que ele está? Porque ele foi tão cedo? Que saudades...

domingo, 5 de junho de 2011

E você, acredita em destino?

Sempre achei tão egocêntricas e fúteis aquelas pessoas que não falavam de outra coisa se não sites de relacionamento e Messenger. Pensava, “por isso mesmo que nunca vou me render a isso”. Mas para uma jovem de 16 anos que está sozinha em uma cidade grande como Curitiba, sem amigos e com muitas saudades dos que ficaram em sua cidade natal, o orgulho de se render à internet, não era nada. E foi assim que tudo começou. Com a internet, que no princípio foi pensada a fim de aproximar duas amigas que não se viam há meses (e mais parecia uma eternidade). Aliás, é impressionante a quantidade de antigos amigos e conhecidos que se pode reencontrar na internet. Neste caso, abro um parêntese para aquelas antigas rivais que tiveram filhos cedo demais e ficaram gordas, ou ainda as que eram super lindas quando novas e se tornaram verdadeiras “mocréias”. Vai dizer que não é ótimo ver tudo isso? Enfim, o caso aqui é namoro, relacionamento a dois, eu e ele. Conhecem um site chamado Orkut? Pergunto pois com esse tal de Facebook, muitos não chegaram a conhecê-lo, e eu, bem... sempre lembrarei dele como grande amigo.

O ano era 2007. Eu tinha acabado de ganhar meu primeiro computador e ainda usava internet discada, aquela, onde tinha que desconectar o cabo da linha telefônica para usar a internet e vice-versa. Tinha 17 anos. No dia em que registrei a conta no tal do Orkut, adorei. Comecei a pesquisar pelo nome das pessoas que não via há tempos, as encontrava e isso era o máximo! O mês era janeiro. Morava no Bairro Xaxim, por isso entrei na comunidade [do Orkut] chamada “Boqueirão-Alto Boqueirão-Xaxim” (três bairros muitos próximos na cidade). Ele é o dono dessa comunidade e me “adicionou”. Deixou-me uma mensagem dizendo que havia se identificado com meu gosto musical e não sei mais o que. Eu o aceitei, fingi que acreditei nesse papo de gosto musical e ficamos por isso mesmo, durante algumas semanas. No dia do aniversário dele, 21 de fevereiro (ainda de 2007, claro), foi a primeira vez que nos “falamos” pela internet. Dei-lhe os parabéns no Messenger e conversamos por alguns minutos. Alguns dias depois minha situação financeira melhorou e comecei a usar a maravilhosa internet banda larga. Eu e ele começamos a conversar com mais frequência e sobre tudo, todos. Qualquer assunto! E olha que não faltava assunto...

Primeiro fato que diferencia nossa história de outras: eu não estava interessada nele. Não da mesma forma que ele estava interessado em mim. Aliás, eu estava apaixonada por um garoto do colégio, afinal, caso não tenham percebido, eu ainda estava no colégio (3º ano do Ensino Médio), e ele já tinha 21 anos. Pois bem, esse garoto do colégio era tão ou mais tímido que eu. Não me telefonava. Raramente falava comigo pela internet e não tinha coragem de conhecer minha família, como eu assim desejava. Tudo isso, aliado à atenção e à companhia perfeita que ele era para mim naquele momento, me fizeram pensar se eu realmente gostava do garoto do colégio. O fato de eu preferir ficar na internet conversando com ele, ao invés de me encontrar com o garoto do colégio pesara muito na decisão que cheguei a tomar, afinal, qual garota de 17 anos que não gostaria de receber atenção, carinho e amizade do garoto que gosta? E ainda por cima, dar muitas risadas com ele? Eu queria! E sejamos sinceros, eu já não gostava mais do garoto do colégio. Perto dele, o garoto do colégio era apenas um garoto. Na verdade, senti pena do garoto do colégio e, caso este garoto algum dia leia isso, queria que soubesse que essa pena que senti não foi por mal, muito menos intencional. Senti pena porque nos poucos dias que ficamos juntos (cerca de um mês) eu o conheci bem e percebi que era um garoto bom, de coração e sentimentos bons, embora fosse tímido demais para demonstrar isso – fato que pesou bastante no nosso término. Mas estamos aqui para falar dele. Quando ele soube que eu havia terminado com o garoto do colégio, finalmente sentiu-se à vontade para se declarar – pela internet – e eu me senti a vontade para me declarar a ele. Chorei litros e ouvimos, simultaneamente, a música “Linger”, da banda “The Cranberries”, a “nossa” música, até hoje. Essa foi a primeira vez que chorei por ele. Um choro de felicidade e de alívio também. Alívio pela sensação de estar livre para encontrá-lo pessoalmente. Não lembro exatamente qual foi esse dia, mas acreditamos que tenha sido em maio de 2007, três meses depois da nossa primeira “conversa” pelo MSN. 

O fato é que em junho, no dia 21 (esse dia eu me lembro muito bem...) fomos um ao encontro do outro em um shopping de Curitiba. Eu estava com calça jeans e uma blusa comprida azul que hoje não me serve mais. Ele estava de calça caqui clara e camiseta preta. Veio ao meu encontro e a primeira coisa que pensei foi, “achei que ele fosse mais alto”. Fomos até a fila do cinema, onde acabamos comprando ingressos para assistir “Shrek 3”. Ainda na fila, ele realizou aquela clássica “manobra” de espreguiçar-se e “disfarçadamente” colocar o braço direito ou esquerdo sobre meu ombro. Disfarçadamente, eu tirei o braço dele. E a gente ri disso até hoje... Eu era tão tímida quanto você possa imaginar! Ainda assim, neste dia nos beijamos, nos abraçamos e aquele sentimento de medo foi embora. Medo de que ele não fosse o que parecia ser quando conversávamos nas tardes pela internet e medo de que eu não conseguisse ser eu mesma diante dele pessoalmente. Cheguei em casa naquela noite, deitei na cama e pensei no dia que veria ele novamente. Esperei... O fim de semana não demorou a chegar, afinal, 21 de junho de 2007 foi uma quinta-feira. Passamos a nos ver com frequência e, alguns dias depois, conheci a família dele. No dia 1º de julho, ele me pediu em namoro e no dia 19 ou 20, não recordo muito bem, conheceu a minha família. 

A partir daí foram viagens feitas juntos, passeios, novos sabores, novas sensações, experiências compartilhas e sonhos divididos. Algumas brigas, claro. Impossível quem não brigue, ainda mais em quatro anos de namoro. Dizem os mais velhos que quem ama, briga. Mas chegamos à conclusão de que não serão esses 10% de brigas no nosso relacionamento que atrapalharão a nossa vida ou nos farão desistir de viver juntos para sempre. A forma como nos conhecemos. A maneira como nos amamos, nos “encaixamos” e nos damos bem é indescritível. Até hoje penso, por exemplo, que na época a comunidade dele tinha bem mais que dois mil membros, embora ele tivesse uns 150 amigos, no máximo. Por que ele me escolheu? Ele não sabe responder essa pergunta... Fica sem saber, assim como eu. Por que me senti tão bem com alguém que nem conhecia? Como é possível eu achar ele cada vez mais bonito e não enjoar do cheiro dele? 

Não é uma determinada quantidade de letras ou uma determinada forma de escrever que vai conseguir descrever o que sinto quando estou perto dele. Quando, no frio, deitamos debaixo das cobertas e nos beijamos os olhos. Ou, quando no verão, andamos pelo centro de mãos dadas olhando as pessoas e sentindo o vento soprar os cabelos. Lembro do começo do namoro, quando ele ainda nem tinha carro e andava de ônibus comigo. Um dia, ao nos despedirmos, ele soltou um silencioso “eu te amo” de longe e só eu pude ouvir, embora o terminal estivesse cheio. Isso, e a maneira como ele beija minha mão direita – da mesma forma que fez há 4 anos, no primeiro dia – faz com que eu lembre que o amor existe e que fui escolhida para compartilhar esse turbilhão de sentimentos que se encontram em um só. Nosso destino daqui para frente? Não sabemos, embora tenhamos planos e idéias. Decidimos deixar por conta do acaso, afinal, ele foi tão bom conosco, não é?

sábado, 30 de abril de 2011

Eles querem uma família

O vento leva um pedaço de fio de náilon até o topo de um muro. Quatro garotinhos brincam e um deles sobe para pegar o pedaço de fio. Um dos três meninos que ficou no chão reclama – “Esse fio é meu!”. O que está no muro alcança o objeto e rebate – “Não é não. Peguei pra mim!”. É assim que vivem as crianças que o Conselho Tutelar de Curitiba recolhe a abrigos da capital paranaense. Disputam objetos, espaço e atenção de quem por lá passa. Tiveram que amadurecer precocemente e entendem a situação em que se encontram. Certamente têm muitos sonhos, mas o maior deles é ter uma família. A fisioterapeuta Cláudia Guimarães e o marido também mantêm um sonho: querem dois filhos. Entretanto, depois de três anos na espera pela adoção, Cláudia desanimou com a burocracia e a morosidade do Poder Judiciário. “Não estou mais correndo para o telefone cada vez que ele toca. Se a assistente social me ligar hoje dizendo que tem duas crianças para mim, vou pensar”, desabafa.
Joana* chegou ao Lar Criança Arteira, localizado no bairro Fazendinha, aos 7 anos com mais três irmãos, todos mais novos. Hoje ela tem 15 anos e é a que está há mais tempo, oito anos. Os dois irmãos menores foram adotados por uma mesma família. Joana e o outro irmão, Joaquim*, hoje com 11 anos, são deficientes mentais. Há alguns meses, Joaquim foi transferido para uma instituição que poderá lhe prestar atendimento diferenciado, que só é oferecido a portadores de necessidades especiais. Em breve, Joana deverá ser transferida para esta instituição e poderá ficar perto do irmão.
As 20 crianças, assim como Joana, têm horário para acordar, arrumar a cama, tomar o café da manhã, escovar os dentes e ir para o colégio. Fazem o que qualquer uma que esteja na infância costuma fazer, exceto o fato de que elas têm uma família em algum lugar no mundo, ao mesmo tempo em que não têm. Quem as ajuda nestas tarefas diárias são as “cuidadoras” sociais, que moram no abrigo. Antigamente eram chamadas de “mães sociais”, mas o nome mudou depois que as assistentes sociais perceberam o sentido dessa nomenclatura para as crianças. “Algumas delas realmente consideravam as cuidadoras como mães e, inclusive, as chamavam assim. Como as mulheres não ficam aqui para sempre, ao irem embora os menores podem pensar que estão perdendo a mãe pela segunda vez”, explica a assistente social Márcia Regina Mello, responsável pela situação jurídica das crianças.

Morosidade Judiciária

Márcia conta que em virtude da lei de adoção (Lei nº 12.010, de 3 de agosto de 2009) o menor não poderá ser tirado do poder familiar enquanto for verificado que algum membro da família extensa tem condições e quer a sua guarda. “Família extensa ou ampliada é aquela que se estende para além de pais e filhos ou da unidade do casal, por exemplo, avós, tios, tias com os quais a criança ou adolescente conviveram e mantiveram vínculos de afinidade e afetividade”, esclarece.
É exatamente aí que existe a demora, pois o processo no Poder Judiciário é muito lento. Segundo a assistente social, leva em média dois anos para que toda verificação familiar possa ser feita e caso seja comprovado que não há ninguém na família extensa que possa ser habilitado para ter a guarda, o jovem será liberado para adoção. “Entenda-se como habilitado mais do que a situação financeira da pessoa. Leva-se em conta principalmente o vínculo familiar existente ou não com a criança”, explica.
A fisioterapeuta Cláudia tentou engravidar, fez tratamento médico, mas não conseguiu. A adoção não foi a primeira opção dela e do marido. “Mas eu tenho casos de adoção na família e amigos. Então decidimos entrar na fila para adotar também”, diz. Em julho de 2008, o casal apresentou a documentação exigida para iniciar o processo na 2ª Vara da Infância e da Juventude de Curitiba.
Em janeiro de 2009, eles receberam em casa, através do oficial de Justiça, o documento que comprovava que estavam habilitados a adotar. Neste momento, Cláudia pensou que “o pior já havia passado”. Porém, depois de três anos de espera, o casal desanimou. O processo está em andamento, mas o entusiasmo diminuiu. “Já não faz mais parte dos nossos planos. Acredito que temos idade para ter filho, porém depois de um tempo não é possível acompanhar o seu desenvolvimento”. Em dezembro de 2010, ela questionou a 2ª Vara da Infância para saber os motivos da demora. Foi informada que existem muitas crianças em processos de reinserção familiar pendentes, por isso ainda não estão disponíveis para adoção.
Com a demora e a falta de agilidade nos processos, eles vão crescendo no abrigo e a cada ano a adoção fica mais difícil. “No nosso caso queríamos adotar dois irmãos, sendo o mais velho com até 4 anos, independente da cor da pele ou dos olhos”, assegura a fisioterapeuta. Márcia explica que este não é o perfil da maioria dos casais que deseja adotar. “Geralmente querem crianças com até 3 anos, de pele clara e, de preferência, olhos claros também. Vejo que estes casais ainda estão muito preocupados com a reação da sociedade, do preconceito que possa surgir. Por isso, optam pelos que mais se pareçam com eles”.
Ainda de acordo com a assistente social, o processo de adoção é lento também pelo fato de que a rotina do casal é analisada minuciosamente visando o bem estar do menor. “Depois de adotado, permanece seis meses em adaptação. Neste período, estamos recebendo muitos casos de devolução”, ressalta, contando que uma vez devolvida, são meras as chances do casal conseguir adotar novamente.
Os principais motivos que levam as crianças até os abrigos são a violência e o abuso sexual ocorridos dentro de casa, o abandono pelos pais e a negligência destes perante àqueles. Neste último caso, tenta-se reinseri-las no convívio familiar, indica-se tratamento físico e psicológico para os pais biológicos, além do acompanhamento feito pelas assistentes. “Isso tudo depois dos responsáveis entrarem na Justiça para reaver o filho”, expõe Márcia Mello. “A prioridade é o bem estar dos menores. Muitos deles têm contato com a mãe que é autorizada a visitá-los e ficam chorando quando vai embora. Mas só permitimos a reinserção quando sabemos que não vai mais sofrer o que sofria”. Para a fisioterapeuta, a vida segue e a ansiedade por um filho está diminuindo. “Antes quando o telefone tocava eu pensava é agora. Hoje, se toca, vou dizer para a assistente social que vou pensar”, conclui.

Casa Lar

No Lar Criança Arteira, as duas “cuidadoras” sociais são remuneradas pela Fundação de Ação Social (FAS). A entidade ligada à Prefeitura de Curitiba fornece apoio financeiro para o pagamento dos funcionários. A infraestrutura, alimentação e outras eventuais despesas são custeadas por doações, parcerias com empresas e através da dedução do Imposto de Renda.
Quem quiser ajudar pode doar alimentos, roupas e calçados para as crianças, roupas de cama e banho, móveis, utensílios domésticos e brinquedos. O Lar necessita também de voluntários. As doações em dinheiro podem ser feitas de quatro formas: carnê de contribuição e autorização para débito em conta de luz (para saber mais acesse www.criancarteira.org.br), depósito em conta corrente no Banco Itaú: Agência: 4012 - Cc: 11498-1, além da dedução do Imposto de Renda. Outras informações estão no site acima e no telefone (41) 3245-0464. O dinheiro arrecadado é utilizado para o pagamento de medicamentos, médicos, dentistas, manutenção da Casa, telefone, luz, água, entre outros. A Associação Lar Criança Arteira fica na Rua Ary Rolim Costa, 793, bairro Fazendinha, Curitiba.

*Os nomes verdadeiros foram substituídos por nomes fictícios para preservar a identidade das crianças.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Dieta, já!

Hoje começa uma nova etapa, um novo caminho de resistências. Resistência aos doces, às gorduras, frituras, açúcares e carboidratos mais. Fui à nutricionista que me passou uma dieta muito tensa. Comer de 3 em 3 horas não porque é chique, mas porque devo comer em quantidades menores. Qualidade também foi algo muito pensado. Àlias, como eu pensava errado!! Considerava que comia pouco. No entanto, comia pouco, mas comia as coisas erradas e nos horários errados. Então comia muito. Achava que comia bastante verduras e legumes. Achava que tomava bastante água. Achava que ela [a nutricionista] ia deixar que eu comesse uma coisinha aqui, outra ali. Pior. Nada. Tudo o que é "bom" está cortado, ou melhor "removido" da minha alimentação. Numa coisa concordei de cara com ela: do jeito que eu comia não tinha como meu intestino funcionar bem. Agora terei uma alimentação mais rica em fibras e minerais. Pois, como ela mesma disse, eu estava me alimentando até então, e não me NUTRINDO. Desejem-se sorte, força e tranquilidade. Passarei por aqui mais vezes para registrar a evolução [ou não]. 

Tudo na vida a gente tem que tentar.
Tudo na vida a gente pode vencer.