quarta-feira, 30 de junho de 2010

Como eu sou inútil

Alguma vez você já se achou imprestável, desnecessário, dispensável? Acho que dispensável é a palavra certa. Quando você pensa que se não existisse, tanto faz como tanto fez? Eu tenho tanta vontade de fazer alguma coisa, ajudar alguém, participar de algum programa, de alguma ação. Ação! Outra palavra ótima. Meu ponto fraco, e eu não deveria dizer isso, são as crianças. Não sou louca pra ser mãe. Mas são elas que fazem meu coração partir em segundos. Sou louca pelos meus (três) irmãos pequenos. Toda criança que vejo nas ruas, nas pontes, nas praças, na droga, imagino como meu irmão. Imagine? Uma criança! Só uma criança e suja e indefesa e drogada e abandonada e sozinha. Sem nenhuma referência de pai, de mãe, de família e de sociedade. O que será que elas pensam daqueles que passam no semáforo com seus carros grandes e bonitos? Qual será a maior vontade delas? Comer bem? Dormir bem? Ter alguém? È triste imaginar que com o tempo, elas se tornarão o que hoje a sociedade tenta exterminar, como pragas do esgoto. È ainda mais triste imaginar que grande parte delas não chegará aos 18 anos. E pior que tudo isso é assistir de camarote a desgraça e não fazer nada, NADA!

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