quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
O que você pode fazer?
Dia desses passando de carro por uma rua bem movimentada aqui do bairro, vi uma menina que devia ter seus quatro ou cinco anos bem privados. Nesse mesmo dia eu separei muitas roupas da minha irmã de quatro anos, roupas que não servem mais ou ficam grandes demais. Logo que vi aquela menina sentada, no meu fio, ao lado de um carrinho de papelão, desejei dar as roupinhas á ela. Eu devia ter dado. Parado, conversado com ela e pedido pra que ela fosse na minha casa buscá-las. Mas talvez minha timidez tenha contado mais que a minha vontade. Por isso fiquei na vontade. E ainda hoje não esqueço o rosto dela. E ainda hoje se a visse, eu a reconheceria. Tinha cabelos compridos e ondulados. Estava a noite, mas dava pra ver que eram clarinhos, tipo um castanho claro. Ela tava ajeitando no seu pé direito uma sandália da Xuxa ou Angélica, alguma coisa do tipo. A sandália não devia ter sido comprada pelos pais. Por isso devia estar machucando-a, ou ficava grande demais. As roupas da minha irmã ainda estão em casa. Curitiba é uma cidade muito grande. Àlias, foi a primeira impressão que tive quando cheguei aqui, em outubro de 2005. Tudo o que tem em Curitiba parece ser o dobro ou até mais do que Joinville (minha cidade natal) tem. Embora Joinville seja a maior cidade de Santa Catarina, nem se compara a grandiosidade de oportunidades e variadades que há em Curitiba. Mas se um dia eu encontrar com essa menina de novo, eu juro que paro e falo com ela. Tenho certeza que tenho muito a conhecer desta cidade, mas o pouco que conheço e aprendo com ela, é suficiente para gostar cada dia mais de estar aqui. Junto com a curiosidade de conhecê-la mais a fio, vem o medo do que eu possa encontrar nessa caminhada. Quando você sabe que existem crianças que se drogam nas esquinas das ruas e andam assim, sujas e mal alimentadas, você se choca mas segue em frente pra onde quer que esteja indo. Mas quando você vê, você nunca esquece (eu imagino). Aquela menina me marcou, apesar de estar apenas ajeitando sua sandália. Vejo crianças catando papel, correndo de algo, ou te olhando com raiva sempre que saio de casa, vou ao centro. È difícil acreditar que uma delas vai estudar e trabalhar honestamente. E mais difícil ainda é acreditar que uma delas vai viver até cinquenta, sessenta anos. Constituir família e ter orgulho da mesma. Mas a esperança é o que as motiva. E é o que NOS motiva. Ninguém pode mudar a sua vida! Pense assim e você não mudará muita coisa mesmo.
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Um comentário:
verdade, a gente ve cada coisa nas ruas, que dói.
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