terça-feira, 18 de novembro de 2008
Um Osvaldo;
hoje me apareceu um Osvaldo. Comumente é um João ou Joaquim. Às vezes é um André ou José; Francisco... Mas hoje foi um Osvaldo. Eles chegam assim, logo se apresentando, sem nenhuma cerimônia. Eu vejo que procuram falar o mais alto que podem para atingir o maior números de ouvintes possíveis. Vejo também que as pessoas, apesar de escutarem, não dão nenhuma atenção. Depois das apresentações eles relatam os seus problemas e falam, geralmente, das doenças que tiveram e que agora os impede de trabalhar. Esse Osvaldo de hoje, ao contrário dos outros homens e mulheres, não estava pedindo nada. Estava oferecendo. Cd. Dele. Gospel. E dizia ele que o irmão do Zezé di Camargo (aquele irmão dele que foi sequestrado/é paralítico - como o Osvaldo) havia ajudado ele a gravar o cd, lá em Goiás. Não dúvido. Mas também não acredito 100% nisso. E também, o que me importa? Enquanto ele falava, ou melhor, berrava suas dificuldades de vida aos quatro cantos, eu só conseguia pensar que esse não foi (não foi mesmo) a primeira pessoa que fez algo desse tipo num ônibus. E não será (não será mesmo) a última a fazer tal coisa. Sempre haverá um João que perdeu a visão; uma Maria que devido à uma infecção na perna teve de amputá-la... e sempre haverá quem ignore essas pessoas; os outros. Não que eu queira que eles recebam o peixe pescado também. Sou mais a favor de ensiná-los a pescar. Assim como quando aparece um José pedindo "moedinhas" para inteirar no leite do filho (que é sempre caro) eu penso "Por que ele não oferece trabalho? Serviço?" Às vezes a pessoa é realmente muito pobre (sabemos melhor que ninguém que existe esse tipo de gente por aqui) mas sabe fazer coisas muito bem feitas. Às vezes o Joaquim que foi afastado do serviço por invalidez sabe cortar grama como ninguém. Ou a Maria, que está com aquela baita infecção na perna/problema na coluna, saber fazer uma cocada muito boa. Por que não explorar o que ainda conseguem fazer? Acho tão "bonito" quando acontece algo assim. Nessas horas é que sinto orgulho em morar num país com pessoas assim. Mas quando vejo alguém pedir... só consigo pensar em tudo o que já falei.
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Um comentário:
Um país tao rico e tão pobre... Vai entender! Saudades de ti Gabi!!! =***** TU TEM DOM! hauhuahuhau
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