terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Um cortejo de amizade;


- Olha quanta gente! meu namorado disse ao olhar para trás pelo retrovisor do carro.
A fila de carros a caminho do cemitério municipal de Joinville se estendia além de uma curva toda. Quantos amigos de caminhadas, quantas companhias de jogo do bicho e quantas pessoas gostavam do meu avô - pensei. Ele tão querido. Ô querido! Meu avô foi meu verdadeiro pai. Quando eu pensava em casar na igreja imaginava a cara dele quando fosse convidá-lo para me levar até o altar. Meu pai biológico 'apareceu' na minha vida quando eu já não precisava mais daquela figura paterna; daquele alguém para quem dar as lembrancinhas feitas no dia dos pais, ou levar a uma apresentação dessas... Esse seu Antônio que tinha apenas 68 anos foi quem me criou, até os 9 anos e me ensinou os pequenos valores da vida. As pequenas lições de amor e amizade; humildade e prestatividade; educação e respeito. No dia 27 de dezembro ele nos deixou. Uma semana de agonia, de sofrimento, de espera. No dia 19 de dezembro ele sofreu um derrame cerebral, as chances de vida eram poucas, mas existiam. Seu quadro ia cada vez mais se agravando, a pressão subindo e descendo, descontrolada. Dia 20/12 eu o vi. Numa cama de hospital fria e silenciosa eu não consegui conter as lágrimas diante de um vô tão magrinho. "Fale com ele, fale normalmente com ele que ele vai te reconhecer. Não chore. Demonstre segurança e transmita isso para ele" foi o que todos me recomendaram. Como? Nunca tinha visto meu vô daquele jeito e eu não teria o direito nem de chorar? Chorei! Chorei chorei chorei... falei com ele e ele apertou minha mão bem forte (o lado esquerdo do corpo ainda tinha movimento), abriu os olhos rapidamente para mim e eu fiquei tão feliz com isso. "Ele abriu o olho pra sua filha, ele abriu o olho!!!!" disse a enfermeira à minha mãe. Dia 24/12 ele teve o segundo derrame e entrou em coma. No dia de Natal fui ao hospital e vi ele, respirando pela última vez. Dia 27 minha gerente veio e disse "È Greyci, você vai ter que descer (para Joinville)" E aí eu soube - acabou. Ele se foi. Ele nunca mais vai voltar. E vô, eu já sinto saudades de você.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Venho falar de fases.

A vida é cheia delas. A vida não tem graça sem elas, e já diziam os Raimundos, "mulher de fases" (somos expert's nisso). Já tive de muitas. Desde dançar axé na sala de casa imitando a Carla Peres até ter uma completa obsessão por roupas pretas e objetos macabros. Como eu disse, a vida é feita dessas fases. Você passa por cada uma levando algo da mesma. E se ela não foi muito boa, se você percebeu que não é "a sua praia" ao menos serviu para que você agora soubesse o que não gosta. È sim. Até a pior das fases tem a sua parte boa... o que fica (acredite) de certa forma sempre é bom. Não que eu seja doutorada nisso, mas é que estou numa daquelas bem boas, e sabe, acho que a tendencia é que as coisas apenas melhorem.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

EGOcentrismo


Eu quero ser feliz. Eu quero ele comigo. Eu quero sair com ele. Eu quero que ele me ligue. Eu quero sorvete. Eu quero chocolate. Eu quero que me deixem em paz. Eu quero ir embora. Eu quero ir naquele lugar. Eu quero viajar. Quero folga. Quero...Me contem, alguma vez já disseram qualquer coisa desse tipo? Claro, né? Não adianta, é do nosso instinto animal racional QUERER. Tudo pra gente, tudo pra ontem. E afinal,é absolutamente normal. O perigo está quando passamos a desejar todas as coisas para nós mesmos. Ou UMA coisa, em especial. No que diz respeito a eu e meu namorado eu admito que sou egoísta. Acabei de descobrir que o problema nem são mais só as mulheres que podem estar a sua volta: tenho ciúme de qualquer pessoa que passa mais tempo com ele do que eu. E considerando que nos vemos somente no fim de semana, qualquer pessoa passa mais tempo com ele do que eu. E vice-versa. E se nesse um dia e meio que temos para nos curtir, ele não pode ficar comigo ou o contrário, eu fico maluca. Considere maluca como doida de raiva, de tristeza... Nem sempre é assim. Eu sei distinguir quando sinto aquele ciúme por mulher, sabe? Aquele cheirinho de sopa de galinha (humor negro) no ar. Não é normal o jeito como eu quero ele...