
- Olha quanta gente! meu namorado disse ao olhar para trás pelo retrovisor do carro.
A fila de carros a caminho do cemitério municipal de Joinville se estendia além de uma curva toda. Quantos amigos de caminhadas, quantas companhias de jogo do bicho e quantas pessoas gostavam do meu avô - pensei. Ele tão querido. Ô querido! Meu avô foi meu verdadeiro pai. Quando eu pensava em casar na igreja imaginava a cara dele quando fosse convidá-lo para me levar até o altar. Meu pai biológico 'apareceu' na minha vida quando eu já não precisava mais daquela figura paterna; daquele alguém para quem dar as lembrancinhas feitas no dia dos pais, ou levar a uma apresentação dessas... Esse seu Antônio que tinha apenas 68 anos foi quem me criou, até os 9 anos e me ensinou os pequenos valores da vida. As pequenas lições de amor e amizade; humildade e prestatividade; educação e respeito. No dia 27 de dezembro ele nos deixou. Uma semana de agonia, de sofrimento, de espera. No dia 19 de dezembro ele sofreu um derrame cerebral, as chances de vida eram poucas, mas existiam. Seu quadro ia cada vez mais se agravando, a pressão subindo e descendo, descontrolada. Dia 20/12 eu o vi. Numa cama de hospital fria e silenciosa eu não consegui conter as lágrimas diante de um vô tão magrinho. "Fale com ele, fale normalmente com ele que ele vai te reconhecer. Não chore. Demonstre segurança e transmita isso para ele" foi o que todos me recomendaram. Como? Nunca tinha visto meu vô daquele jeito e eu não teria o direito nem de chorar? Chorei! Chorei chorei chorei... falei com ele e ele apertou minha mão bem forte (o lado esquerdo do corpo ainda tinha movimento), abriu os olhos rapidamente para mim e eu fiquei tão feliz com isso. "Ele abriu o olho pra sua filha, ele abriu o olho!!!!" disse a enfermeira à minha mãe. Dia 24/12 ele teve o segundo derrame e entrou em coma. No dia de Natal fui ao hospital e vi ele, respirando pela última vez. Dia 27 minha gerente veio e disse "È Greyci, você vai ter que descer (para Joinville)" E aí eu soube - acabou. Ele se foi. Ele nunca mais vai voltar. E vô, eu já sinto saudades de você.
Um comentário:
sei bem como é perder alguém querido e próximo!
):
faz tanto tempo que eu não vinha/venho aqui.
oi Greyci! (:
Postar um comentário