sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Cara bonzinho,

dia desses, no ônibus, passei muito mal; já aconteceu várias vezes de eu passar mal em ônibus, principalmente quando está muito quente e muito lotado. Mas dia desses foi muito pior. A certa altura não conseguia enxergar mais nada, ouvir mais nada. Estava tudo preto e eu, de pé no ônibus, precisava descer (era o meu ponto) mas não conseguia chegar até a porta. Estava caindo, sem conseguir me segurar. Foi quando senti uma mão segurando meu braço. Um cara bonzinho, com cara de preocupado, perguntou se eu queria que ele me ajudasse. "Sim", eu disse, sem poder me manter em pé. "Você está caindo moça", ele disse quando me tirou do ônibus. Com a luz da manhã calorenta no meu rosto, e o ar (nem tão) fresco de Curitiba, fui me recompondo e tudo foi voltando. Enquanto isso ouvia alguns murmúrios dele e de uma senhora que parou para me ajudar, também. Quando voltei a mim pude notar que o cara estava realmente preocupado comigo. Ficou insistindo em me acompanhar até o médico (meu destino). Insistindo muito. Achei muita bondade dele ter descido do ônibus para me ajudar, não ia pedir mais nada. Além disso, era só atravesar a rua que estava lá. Segui no meu destino aliviada por não ter caído no ônibus, na frente de todos. Mas depois, com um peso na consciência por não ter pago outra passagem para o cara.

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