Hoje recebi as fotos da colação de grau da minha irmã, que foi em setembro do ano passado. Pedagogia. Essa nasceu pra educar crianças. Uma paciência de jó, um carinho enorme e uma bondade imensa! Até meus 10 anos éramos apenas nós duas, sem competição, sem disputa. Muita cumplicidade, algumas brigas, claro, (na maioria das vezes quem começava era eu) mas ela sempre foi minha melhor amiga, depois de irmã mais velha. Me dava proteção na escola e em casa. Me buscava na creche e passava uma vergonha comigo. Isso porque aos seis anos, na creche, eu era tão tímida que não pedia à professora para ir ao banheiro. Resultado? Fazia xixi nas calças a caminho de casa, todo dia. E ela, morrendo de vergonha, me levava até em casa pela mão (risos). No meu aniversário de sete anos ganhamos nós duas presentes. Fiquei brava que na primeira comunhão dela eu não ganhei nada e ela ganhou um monte de presentes. Senti ciúme, mas era coisa de criança. Voltando no tempo lembro como eu era um pé no saco, meu deus! Um dia ela decidiu conhecer pessoalmente um carinha que havia conhecido pela internet. Lembro que eu chorava e pedia para ir junto, já pensou? Eu, com uns 12 anos, minha irmã e o namoradinho dela (risos). Eu era do tipo que aparecia no portão de casa quando ela estava com um menino e falava "tá namorando! tá namorando!". Ainda assim ela me suportava, senhor! Também lembro do dia que briguei feio com uma prima e minha vó ficou contra mim e a favor da prima. Minha irmã ficou do meu lado e jurou nunca mais pisar na casa da vó. Coisa de criança. Quando ela teve seu primeiro emprego comprou roupas pra mim, que foram roubadas antes mesmo dela terminar de pagar. Roubadas por aquela prima, da briga que citei antes. Como ela ficou triste! Eu também fiquei, claro. Mas não tanto pelas roupas, e sim pelo esforço dela em me fazer um agrado. Ela sempre foi assim. Situações desse tipo são consecutivas. Quando ela saiu de casa, com apenas 16 anos, ali eu perdi minha amiga companheira e cúmplice e passei a viver sozinha e só. Não tinha pra quem contar sobre a tristeza do amor não correspondido, que vivi por tantas vezes. Chorava sozinha agora, sem aquela espectadora que me entendia e compartilhava comigo a dor. Enquanto isso, na cidade onde morava, ela fazia das tripas coração pra aguentar viver sozinha num lugar estranho. Passava fome para ter dinheiro pra passagem de ônibus com destino a Joinville. Bom, até o dia em que começou a namorar meu cunhado. A partir daí as visitas eram mais frequentes e eu adorava. Aqui, sozinha, eu aprendia a me virar sem a proteção dela. Ou não aprendia e apanhava. Coisas da vida. Vieram os irmãos e foi então que eu deixei MESMO de ser prioridade. Não é complexo de irmão rejeitado nem ódio dos meus irmãos. Longe disso. Os amo incomparavelmente. Sem descrição. Mas não desejo ter mais que dois ou três filhos, pois, sei que fica impossível dos pais conceder atenção a todos em partes iguais. Alguém sempre sai perdendo e fica de lado. Depois que minha irmã casou as coisas melhoraram pra ela. Havia encontrado um companheiro e eu a via mais vezes. Então veio o que gostaríamos de escutar a muito tempo: ela estava grávida. Não parava de imaginar como seria o rostinho dela ou dele. E veio ela. Emanuela. Mais linda, impossível. E veio o convite: queremos que seja a madrinha dela. Eu perguntei "eu?". Ela respondeu "quem mais? quem eu podia convidar se não a minha irmã?" Eu não esperava, JURO que não esperava. Podia ser uma amiga dela, alguém que estivesse mais próximo a ela em Santa Catarina. Mas ela resolveu escolher alguém que poderia substitui-la em caso de ausência. Quanta honra!

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