segunda-feira, 8 de outubro de 2012

E o pra sempre sempre acaba...

Depois de muito pensar se deveria ou não escrever sobre isso aqui no blog decidi que sim, vale a pena registrar esse momento importante da minha vida, ainda que triste, frustrante, confuso. Aliás, não é bem "valer a pena", mas é como se eu "devesse" uma explicação, é como seu eu "tivesse" que contar o final de uma história retratada em todos estes anos de blog. Afinal, não foram cinco meses, cinco dias, ou um beijo. Foram cinco anos de convivência diária, partilhas, confidências, uma vida compartilhada junto. Há um mês essa (linda) história chegou ao fim. Enquanto escrevo, nem eu consigo acreditar nisso. A incredulidade do nosso término esteve presente em todos aqueles que se espantaram "não acredito que terminaram, vocês foram feitos um para o outro!". Será? Éramos mesmo muito perfeitos. Mas tanta perfeição também não é boa. Era como se eu nunca tivesse existido sem ele. Era como se ele fizesse parte de mim e, de fato, fazia. Imaginar viver sem ele era algo difícil de fazer. Imaginar uma vida sem ele era algo impossível de acreditar. Sempre achei que se um dia tudo chegasse ao fim eu não conseguiria sobreviver, eu morreria de amor nas profundezas da depressão. Ele foi o mais próximo que conheci do amor. Ele foi meu amor. Foi meu amigo (meu melhor amigo), um pouco meu pai, muito do meu irmão, um namorado apaixonado e um quase marido. Foram cinco anos bem vividos, aonde ambos amadurecemos, crescemos e nos tornamos melhores. Mas não éramos perfeitos. Eu não sou perfeita, embora saiba que ele sempre acreditou nisso. É difícil, senão loucura, pensar na decisão que tomei, olhar para o futuro que planejávamos e avaliar que ele não irá se concretizar. Tudo parece um sonho. Nesse sonho, era como se andássemos por um caminho florido e iluminado pelos raios do sol, de mãos dadas, sorrindo, corando. Aos poucos, era como se eu soltasse meus dedos das mãos dele e visse meu caminho se transformar, enquanto ele continuava a andar entre as flores e o calor do sol. E aí, de repente, me via tomando outro rumo, um caminho desconhecido e solitário, enquanto ele continuava a sorrir naquele caminho perfeito.
Essa foi a minha escolha. Uma escolha que jamais imaginei que chegaria a fazer. Uma opção que não considerava, que não existia. Conclui, sobretudo, que era muito mais forte do que poderia imaginar. Percebi que mesmo estando em um caminho frio, sem cor, sem rumo, sem chão e só poderia preparar um terreno de felicidade, semear um novo futuro belo e saboroso. Descobri que não se morre de amor ou de tristeza e que ninguém é dependente de ninguém quando se tem amor próprio. Descobri, naquele "sonho", que mesmo um grande amor pode chegar ao fim e que nada na vida, por mais que pareça (e acredite, pode parecer) é para sempre. Descobri que a danada da culpa é amarga e dolorida, te fere por dentro aonde você nem imaginava que pudesse sentir dor. Desejei inacreditavelmente sofrer por ele, em seu lugar. São cinco anos perdidos em cinco segundos. Será? Duas mãos não se separam apenas em cinco segundos. As mãos se desvencilham com os dias, com o tempo. Ah, o tempo. Dizem que ele cura tudo. Não sei se cura, mas que ameniza, ameniza... O tempo faz até a pior das dores ser esquecida e o mais lindo dos amores desaparecer. Como? Quando? E o principal: por quê? "Tudo tem um porquê. A gente é que demora pra entender". Quanto tempo mais esse "demora" durará? Difícil pôr um ponto final em uma história que, até então, era repleta de reticências... Difícil esquecer alguém que me deu tanto pra lembrar. E por que, afinal, esquecer? Para mim ele sempre será ele. Meu primeiro namorado, o melhor amigo que tive, um professor na vida, um sorriso sincero, um olhar penetrante, um abraço quente e macio. Com carinho, muito carinho eu me despeço dessa eterna lembrança. Me despeço dessa vida sem olhar pra trás, para não chorar e me arrepender. É assim que se diz adeus?

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Meu envolvimento absoluto

Sei lá quando foi que comecei a gostar de ler. Sim. GOSTAR! Não apenas ler por obrigação. Quando criança adorava os dias na escola de ir à biblioteca. Pegava uns três livrinhos e olhava as figuras. Queria tê-los para mim, levar para casa. Mas nunca fiz isso (que fique bem claro). Aliás, tive uma professora na faculdade que defendia o roubo/furto de livros em sebos e livrarias. Não defendo exatamente isso, mas acho que o acesso à leitura deveria ser (obrigação) muito mais fácil ($$). 

Enfim, lá pelos 15 anos lembro que locava muitos livros na biblioteca. Entretanto, poucos eram os que eu terminava efetivamente de ler. Se achava chato no começo desistia e partia para outro. Com o tempo aprendi que a maioria dos livros são chatos no começo, mas tendem a ficar incrivelmente envolventes do meio para o final. E é por isso que leio leio leio leio. Acho fascinante essa capacidade que o livro nos proporciona de poder imaginar um turbilhão de cenas e pessoas em algumas páginas. 

Sempre me envolvo absolutamente com as histórias! Depois que li os sete livros da coleção Harry Potter, por exemplo, fiquei quase um mês (ou até mais) sem ler nada. Simplesmente não conseguia parar de pensar no que havia terminado de ler. Tudo é sempre muito intenso! A que tem ocupado meu tempo e meus pensamentos, agora, é "Quarto", da escritora alemã Emma Donoghue. Tenho o péssimo defeito de não conseguir resumir uma história sem ter que contar toda ela. Bem, vou tentar não fazer isso com relação à "Quarto". 

Sendo objetiva e fria, "Quarto" conta a história de um menino, Jack, de cinco anos, e sua mãe, a MÃE. Há sete anos essa mulher vive em cárcere privado, aprisionada por seu sequestrador. No "quarto" onde vivem, ela teve Jack, que nunca viu/conheceu nada além do "quarto", nunca viu a luz do dia, e acredita que o mundo existe apenas ali. Apesar de toda a crueldade e obscuridade, ela cria um ambiente feliz para o filho e o ensina sobre as coisas do mundo, de uma forma bem infantil. Ele é um menino esperto, o Super Jack! 

Resolvi escrever sobre isso, pois ontem foi realmente especial. Cheguei a um ponto da história extremamente emocionante. Não contarei o que é, na esperança de que você procure e leia este livro e se emocione tanto quanto eu me emocionei. Fechei o livro, coloquei as mãos no rosto e chorei muito. Bati palmas. Pode isso? Me achei meio idiota e fiquei imaginando o que as pessoas pensariam se eu estivesse, por exemplo, no ônibus (e não em casa, na minha cama). Comemorei! Como se aquilo estivesse realmente acontecendo. Bem que poderia, é verdade. Isso é ótimo, concorda? Viajar, quero dizer. Viajar sem sair do lugar.