Sei lá quando foi que comecei a gostar de ler. Sim. GOSTAR! Não apenas ler por obrigação. Quando criança adorava os dias na escola de ir à biblioteca. Pegava uns três livrinhos e olhava as figuras. Queria tê-los para mim, levar para casa. Mas nunca fiz isso (que fique bem claro). Aliás, tive uma professora na faculdade que defendia o roubo/furto de livros em sebos e livrarias. Não defendo exatamente isso, mas acho que o acesso à leitura deveria ser (obrigação) muito mais fácil ($$).
Enfim, lá pelos 15 anos lembro que locava muitos livros na biblioteca. Entretanto, poucos eram os que eu terminava efetivamente de ler. Se achava chato no começo desistia e partia para outro. Com o tempo aprendi que a maioria dos livros são chatos no começo, mas tendem a ficar incrivelmente envolventes do meio para o final. E é por isso que leio leio leio leio. Acho fascinante essa capacidade que o livro nos proporciona de poder imaginar um turbilhão de cenas e pessoas em algumas páginas.
Sempre me envolvo absolutamente com as histórias! Depois que li os sete livros da coleção Harry Potter, por exemplo, fiquei quase um mês (ou até mais) sem ler nada. Simplesmente não conseguia parar de pensar no que havia terminado de ler. Tudo é sempre muito intenso! A que tem ocupado meu tempo e meus pensamentos, agora, é "Quarto", da escritora alemã Emma Donoghue. Tenho o péssimo defeito de não conseguir resumir uma história sem ter que contar toda ela. Bem, vou tentar não fazer isso com relação à "Quarto".
Sendo objetiva e fria, "Quarto" conta a história de um menino, Jack, de cinco anos, e sua mãe, a MÃE. Há sete anos essa mulher vive em cárcere privado, aprisionada por seu sequestrador. No "quarto" onde vivem, ela teve Jack, que nunca viu/conheceu nada além do "quarto", nunca viu a luz do dia, e acredita que o mundo existe apenas ali. Apesar de toda a crueldade e obscuridade, ela cria um ambiente feliz para o filho e o ensina sobre as coisas do mundo, de uma forma bem infantil. Ele é um menino esperto, o Super Jack!
Resolvi escrever sobre isso, pois ontem foi realmente especial. Cheguei a um ponto da história extremamente emocionante. Não contarei o que é, na esperança de que você procure e leia este livro e se emocione tanto quanto eu me emocionei. Fechei o livro, coloquei as mãos no rosto e chorei muito. Bati palmas. Pode isso? Me achei meio idiota e fiquei imaginando o que as pessoas pensariam se eu estivesse, por exemplo, no ônibus (e não em casa, na minha cama). Comemorei! Como se aquilo estivesse realmente acontecendo. Bem que poderia, é verdade. Isso é ótimo, concorda? Viajar, quero dizer. Viajar sem sair do lugar.

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