domingo, 9 de junho de 2013

Saber esperar.

Aos 15 anos minha maior vontade era que o tempo passasse rápido. Aqueles eram tempos difíceis, dos quais, talvez, um dia eu fale por aqui. Eu não via a hora de que os 18 anos chegassem e, com eles, a falsa sensação de que, a partir daquela idade, tudo seria possível e permitido. Hoje meu desejo é reverso. Sonho com dias mais longos, semanas mais demoradas. Não tenho aqueles 15 anos cheios de expectativas e a cada novo mês percebo como o tempo passa, e tem voado. Na última quarta-feira, completei 23 anos. Vinte e três rápidos anos e, sabe, tenho medo de envelhecer. Além de todas as consequências naturais dos anos, temo pela proximidade do fim da vida, em virtude da velocidade assustadora do tempo. No dia do meu último aniversário, recebi a seguinte mensagem de um ex-professor.

"Greyci,
Quem passa o tempo batalhando contra o envelhecimento, sempre será infeliz, porque o envelhecimento é inevitável. Por isso, é preciso descobrir o que existe de bom, verdadeiro e belo em cada fase de nossa vida. Rubem Alves ensina que a vida não pode ser economizada para amanhã. Acontece sempre no presente. Tomando emprestadas palavras de Victor Hugo desejo que você, sendo jovem, não amadureça depressa demais e, sendo maduro, não insista em rejuvenescer, e que sendo velho, não se dedique ao desespero. Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e é preciso que eles escorram entre nós. Parabéns. Seja feliz!"

Ele me conhece, só não imaginava tanto assim. Bingo. Aproveitar cada fase e saber reconhecer o que há de melhor em cada uma. Aceitar que aos 15 anos não é normal procurar emprego e ficar fora de casa até às cinco da manhã, embora assim você desejasse; entender que nem todos os jovens aos 18 anos tiram a carteira de habilitação, embora haja uma tradição sem sentido sobre isso. Aceitar as condições de cada idade, compreender o tempo... Alguém sempre me dizia "calma, espere, um dia você também vai ter as noites livres como eu e ganhar um salário melhor, assim como eu, mas agora é hora de estudar, ganhar pouco, juntar experiência, se dedicar". Era mesmo. E é perturbador constatar como ele geralmente tinha razão sobre as questões relacionadas ao tempo. O segredo sempre foi esperar. Ter paciência e aproveitar as vantagens do presente e o que está dentro desse limite. Tão certo, hein?


"Peço-te o prazer legítimo e o movimento preciso...quando o tempo for propício".

Nenhum comentário: