"The only thing I know for sure. Is what I wan' do" ♪
sexta-feira, 26 de julho de 2013
Pelo direito de começar pela parte mais gostosa
quinta-feira, 18 de julho de 2013
Hoje sonhei com você
Você estava igual àquele domingo. Tinha o mesmo sorriso cínico e olhar inquisidor. A mesma voz trêmula e o mesmo jeito incerto de virar o rosto. Engraçado ter te reconhecido depois de tanto tempo sem te ver. Como esquecer, porém, o rosto daquele que destruiu a minha vida. O rosto de quem virou do avesso tudo o que eu tinha. Como quem procura uma moeda esquecida no casaco velho, você procurou em mim qualquer fraqueza. E encontrou muitas. E obrigada. Você transformou minha vida e a mudança foi boa. Que ironia. Agradecer por ter destruído quem eu era. Mas sabe, hoje eu sonhei com você e incrível, mas você era o mesmo. Sorria meio de lado e a beijava. Sua noiva, aliás, era linda. Loira, alegre e com um olhar de ternura. Me viu e sorriu como uma amiga querida. Ali percebi que ela não o conhecia tão bem. Coitada. Em um instante, estavam na cama, deitados. Ela adormeceu. Você continuava a me olhar sobre o corpo da mulher ao seu lado. E ria, naquele jeito provocador e irritante. Por vezes sedutor. Você era o mesmo. Mas ela não era sua noiva, era sua esposa. Seu nome não era o que eu conhecia, era outro. E então conclui que você realmente continuava o mesmo: um perfeito mentiroso.
terça-feira, 2 de julho de 2013
Café com leite
Vou contar uma história pra vocês (na verdade hoje serão várias histórias). Quando éramos crianças, eu e minha irmã mais velha íamos à escola juntas, com algumas vizinhas da nossa idade, e passávamos todos os dias em frente ao trabalho da minha mãe - que era caminho do colégio. Eu devia ter uns 10 anos quando esse fato aconteceu. Em um desses dias normais, enquanto passávamos pelo trabalho da minha mãe, ela me parou - eu vinha à frente do "grupinho" com uma coleguinha - e pediu que eu fosse a uma lanchonete comprar uma Coca-Cola pra ela. Olhei pra trás e disse "ah mãe, pede pra Cindy [minha irmã]". Ao que minha irmã imediatamente respondeu "pode deixar, mãe, eu vou lá comprar". Segui pra escola com as outras meninas e minha irmã e uma amiga foram até a lanchonete. Não sei se antes ou depois de comprar o refrigerante, minha irmã foi atropelada. Quando soube só conseguia pensar "era pra ter sido eu", enquanto minha mãe dizia "não era pra ser você, era pra ser a Cindy, porque você não ia aguentar". Os anos passaram. Eu cresci, estudei, me formei, trabalhei, saí de casa, hoje pago minhas contas e, ainda assim, minha família continua a me tratar como aquela menina que não ia aguentar ser atropelada, o "café com leite" do vôlei - sabe, aquele jogador fraco, cuja equipe grita "pega leve" e, no meu caso, cujos problemas são escondidos. Tanto minha irmã quanto minha mãe têm o péssimo costume de me esconder seus problemas. Certa vez, eu estava comendo pipoca em frente à TV, quando a colega de trabalho da minha mãe me ligou. Disse que estava preocupada com ela, pois ela havia chorado durante o trabalho e dito que se sentia sozinha e mal (ela teve depressão). Por cerca de 30 minutos aquela estranha falou ao telefone sem que eu a interrompesse em nenhum instante. Eu chorei, chorei e não conseguia parar de chorar. Ela pediu que eu ligasse pra minha mãe e conversasse com ela, numa boa, como quem não quer nada, apenas conversa fiada e desligou. Aquela mulher estranha sabia muito mais dos problemas da minha mãe do que eu. Isso me incomodou absurdamente e me destruiu por dentro. Pensei: "que bosta de filha que eu sou". Nesse dia percebi como ainda estava alheia aos problemas da minha família e como precisava mostrar (principalmente às duas) que não era mais a menina de 10 anos medrosa e fraquinha. Sempre telefonei, pedi conselhos, chorei ao telefone e gritei socorro. Hoje, não faço mais isso e me viro do avesso pra resolver todos os meus problemas sozinha. Não quero mostrar que sou forte: eu me tornei forte. Não sou orgulhosa nem ingrata, pois sei que mesmo depois de todos os erros e fracassos eu terei para onde voltar. Minha mãe é complicada (qual não é?). Dois dias convivendo com ela e vou do ódio ao amor. Mas tem algo nela que sempre me impressionou: a capacidade de me apoiar em tudo. No primeiro dia de faculdade muitos colegas diziam que os pais não gostaram deles terem escolhido Jornalismo e pediam que mudassem pra Direito, Medicina, Administração. Minha mãe estranhou minha opção, mas dizia "vai em frente" e, mesmo sem muito conhecimento, pesquisava, me ajudava e voltava pra casa todo dia com alguma novidade sobre o curso "fulana disse que eles ensinam isso; ciclano disse que é importante você ler bastante e sobre tudo". Quando decidi sair de casa ela achou cedo, pediu que eu esperasse mais. Eu disse que estava na hora e era minha decisão final. Ela foi até uma loja e comprou geladeira, fogão, mesa e micro-ondas. "Presentes pra sua vida nova", ela disse. Antes tivesse escutado seus conselhos. Sim, era cedo demais. Sim, eu deveria ter esperado. Sim, não deu certo. Eu errei, errei feio. Tive vergonha, mas fui sincera. Chorei diante dela, estava na rua, novamente sem nada, com uma mão na frente e a outra atrás, como costumam dizer. Ela não me condenou, não me atirou pedras, apenas disse "essa sempre será sua casa, você sempre vai ter pra onde voltar". Mas não era mais a "minha casa". Eu já não pertencia mais àquele lugar e não me permitiria voltar ao zero depois dela ter se orgulhado tanto de mim. Entenda, minha mãe não é do tipo que diz "eu te amo, filha". Ela é mais do tipo que liga pra vó, irmã, pai e amigas pra contar que ganhei uma bolsa de estudos; que consegui o primeiro estágio na área e que mudei de emprego em cada uma das sete vezes que mudei de emprego. Minha mãe é do tipo que esconde qualquer problema só pra não preocupar. Que diz que está bem, quando não está. Que ouve seu choro ao telefone e diz: "filha, você não é sozinha nesse mundo". Acho que ela sempre vai me tratar como "café com leite", afinal, é isso que os pais fazem, né?
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