Minha avó conta que no tempo em que namorava meu avô o namoro baseava-se em sentar um ao lado do outro e trocar duas ou três palavras por encontro. Pegar na mão era certeza de arrepios sequenciais que duravam dias. Com o tempo e a conquista da liberdade do corpo, o inocente encontro no sofá da sala evoluiu para passeios no parque, idas ao cinema, jantares à luz de vela, namoros no portão de casa, no carro, atrás do muro da escola...E ainda assim, após tantas transformações, a sociedade insiste em condenar ao ostracismo quem transa no primeiro encontro. Em qual lugar na bíblia da moral e dos bons costumes está escrito que se torna vagabunda aquela que sede ao tesão logo de cara? Não seriam mais verdadeiras e sinceras as mulheres que demonstram com ações as suas reais vontades? Não somos mais obrigadas a suportar entrada e prato principal, se o que queremos mesmo é a sobremesa. Não somos obrigadas a cumprir o roteiro nupcial pré-determinado pelo senso comum. Não mais. Hoje temos a liberdade de ceder aos desejos, ao tesão, à vontade de se entregar a um cara desconhecido sem ter a obrigação de saber o que ele faz da vida. Da mesma forma, não acho menos honrosa a guria que faz isso e acho ridículo quem imagina que ela não é capaz de assumir compromisso, como outra mulher qualquer. Li pesquisas que indicam: o fato de ter rolado ou não no primeiro encontro não influencia na continuidade do relacionamento. Até porque, se a entrada e o prato principal forem ruins, pouco importa se a sobremesa é deliciosa. Afinal, os relacionamentos pra mim são como uma refeição. A sobremesa é a parte mais deliciosa. Entrada e prato principal são as fases pelas quais é preciso passar até chegar à sobremesa. A questão aqui é começar pela parte mais gostosa. Apenas faça, como diz a música.
"The only thing I know for sure. Is what I wan' do" ♪
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