Essa era eu, há um ano. Era só o primeiro dia (como tentava me lembrar naquele tweet) e, mesmo sabendo disso, achava que nunca ia ser feliz de novo. Até acordar.
Acordei. O ano finalmente passou. Os primeiros meses? De dor alucinante. De uma solidão cruel e uma sensação terrível de vergonha própria. Sempre temi a solidão. Geminiana típica, dizia: meu maior medo é ficar sozinha. Que ironia, hein? Almocei, jantei e lanchei muitos dias sozinha, em restaurantes, shoppings. Algumas vezes, encontrei a praça de alimentação lotada e me propus a dividir a mesa com alguém. Perguntas como "o que uma moça como você está fazendo aqui, comendo sozinha?" foram frequentes no início. Engraçado como é difícil para as pessoas entenderem que essa pode ser uma opção. Por vezes também surgia alguém a fim de dividir a mesa comigo, criticar meu vício ao telefone e jogar um ou dois papinhos furados pra tentar conseguir meu telefone. Um saco. Fui pra balada sozinha, sabia? Foram noites engraçadas. Ah, passei muito mal, várias vezes. Acho que nunca vomitei tanto na minha vida. Dias de trabalho só possíveis graças a um balde de café. Mas também encontrei bons amigos, que cuidaram de mim no seu lugar. Eu senti a sua falta, confesso. Senti sua falta nos primeiros cafés da manhã solitários. Senti falta da sua racionalidade muitas vezes. Falta do seu "calma, tenha paciência". Cada vez que alguém disse "você parece perdida" eu senti sua falta - e isso aconteceu com bastante frequência, como você pode imaginar. Cada elogio que recebi no trabalho, senti vontade de te contar. Senti falta das suas confirmações sobre minhas irritações "não ligue, ele é um idiota mesmo". Senti falta de você nas duas vezes que fiquei doente, sem ninguém pra buscar um copo d'água e verificar o termômetro. Viajei, não tanto quanto gostaria, mas lembrei de você muitas vezes. E sabe, na verdade, descobri que não sou sozinha no mundo e que estava dando pouco valor a quem realmente sempre estará do meu lado - como a minha família. Aliás, as meninas perguntaram muito por você no início - Amabylli não entendia onde você estava que não do meu lado. Foi bem difícil. Ainda hoje a vó continua gostando muito de você (queria que soubesse disso). E eu continuo adorando seus avós, embora não me considere mais parte da vida deles - como eles ainda acreditam.
Você me acostumou mal. Pra me libertar, tive que aprender a viver de novo. No caminho, também aprendi a amar e a sofrer. Voltei aos 13 anos, sabe. Senti borbotas no estômago, sofri por paixão não correspondida, sofri por magoar quem estava disposto a me amar, mas também amei, me arrepiei dos pés à cabeça, mergulhei de cabeça muitas vezes e fui feliz. Lembra quando eu disse que precisava conhecer outras pessoas? Eu conheci, de fato, muitas pessoas. Muitas mesmo. Meninos e meninas. E foi legal. Alguns foram ruins, admito. Outros foram bons e uns poucos maravilhosos. Mas é tudo tão diferente. E frustrante. Sempre faltou algo. Ninguém conseguiu chegar perto do que você foi pra mim. Faltou carinho, faltou preocupação, faltou amizade, faltou rir das mesmas coisas que eu, faltou uma consideração melhor na maior parte das vezes e faltou algo que não soube identificar. Mas sempre faltou. Com isso tudo, infelizmente constatei aquilo que muitos me disseram no primeiro dia: a vida de solteira é ótima, mas não vale a pena trocá-la por uma relação sólida e sincera. Porém, não éramos tão sólidos assim, né? Eu precisava disso e hoje reconheço ainda mais a importância desse um ano. Eu precisava conhecer outras pessoas, me magoar, chorar pela rejeição de alguém, voltar a sofrer por amor e constatar que não é fácil encontrar alguém como você. Eu não me arrependo não. Eu fiz exatamente o que precisava ser feito. Foi a melhor decisão que tomei. Te deixei livre também. Aposto que conheceu tantas pessoas quanto eu e espero que um dia a gente possa se encontrar com a bandeira branca erguida. Talvez não me reconheça. Eu não sou mais a mesma. Não me arrependo desse ano, de forma alguma. Eu precisava passar por cada um desses 365 dias pra reconhecer a importância de um verdadeiro sentimento.
Acordei.


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