"Ficar solteiro não é bom, mas também não é ruim. Abrem-se muitas possibilidades", disse um amigo, enquanto conversávamos sobre relacionamentos e o quanto não estamos preparados pra isso. Eu, por exemplo, acho mais prático ser solteira. Não tenho paciência de explicar ou justificar cada passo dado, me cansa rápido a obrigação de cuidar de cada um dos meus atos pra não magoar alguém e, o principal: não tenho nenhuma certeza sobre minhas vontades. Hoje eu gosto de você, mas amanhã provavelmente vá gostar mais, ou menos, ou não vá gostar. Nessas oscilações, alguém pode se magoar. É mais fácil ser sozinha e evitar tudo isso. Namorar requer um empenho que não tenho e, o principal, requer exclusividade a alguém. Por enquanto, uma pessoa só não me basta. Talvez, tenho pensado, isso acontece porque, até hoje, ninguém me bastou. Sempre faltou algo. Ao mesmo tempo, por mais incrível que possa parecer, me sinto completa quanto estou sozinha e posso aproveitar as milhares de oportunidades que a vida oferece a cada dia. Ao contrário do que acontece quando estou com alguém, e me sinto totalmente sufocada - e incompleta, com a sensação de que me falta algo (de fato, falta a minha liberdade). Sou covarde também, admito. Não tenho coragem (ou talvez disposição) pra encarar as consequências de um relacionamento, como as "obrigações". Gosto de considerar um namoro como um freela que me foi proposto. "Não topo, não senhor, pois não vou dar conta de cumprir o combinado". Simples. Sem choro.
Hoje, a melhor sensação do mundo é carregar minhas próprias sacolas do mercado. Caminhar na direção que eu quero, dormir no lado preferido da cama, ligar ou não ligar, sair ou não sair e, o mais bacana, mudar de opinião a qualquer hora. Sem consultar ninguém. Sem par-ou-ímpar nem dúvidas - a não ser as minhas.

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