Nesta semana, minha melhor amiga completou 24 anos. Desde que a conheci, o dia 19 de novembro nunca mais foi o mesmo. Por que ela é a melhor é assunto pra outro post. Hoje vou falar sobre o aniversário dela - o 19 de novembro de alguns anos atrás. Havia um menino (sempre há) que a encantava. Na verdade, ele encantava meio colégio, mas por alguma razão inexplicada, ela era muito mais atingida pelos cabelos loiros e o jeito grunge à lá Kurt Cobain do rapaz. Ele era indiferente. Indiferente às meninas que suspiravam ao vê-lo, alheio ao colégio, alheio ao fato de estar em uma escola nova, em uma cidade nova, sem qualquer amigo ou inimigo. E estava bem com isso, de verdade. Talvez tenha sido justamente esse o elemento que a atraiu: o fato de que ele era "sozinho". Talvez, quem sabe, ele pudesse se juntar a nós? Com o tempo, nos aproximamos dele e dá pra dizer que nos tornamos suas amigas.
Alguns meses depois, porém, ele sumiu. Não ia mais ao colégio. Desapareceu das ruas.
Eu ali, curiosa. Ela lá, morrendo por dentro. Descobrimos que ele havia voltado pro Rio Grande do Sul - e não nos falou nada. Apesar de silenciosa, a tristeza dela era visível e a minha confusão mental só crescia. Por que sumir assim? Não deu pra se despedir? Ele vai voltar? Alguns dias antes do aniversário dela - o 19 de novembro de anos atrás - cansei. Cansei de ficar no "e se" e cheia de perguntas. Me enchi de coragem e fui até a casa dos avós dele, onde ele morou. Uma senhora veio em minha direção. Expliquei que era amiga do seu neto e gostaria de me comunicar com ele, por carta, mas que ele havia ido embora tão rápido que não consegui pegar o endereço. Ela pediu que eu esperasse, entrou em casa e voltou alguns minutos depois, com um envelope nas mãos. "Minha filha, mãe dele, me enviou essa carta. Aqui tem o endereço. Pode ficar contigo", ela disse, enquanto eu tocava, com uma empolgação gigante, cada selo colado naquele papel. Agradeci, dei as costas a e saí às ruas com o pedaço de papel mais importante que eu tinha.
Em casa, a dúvida era: o que fazer com ele? Pretendia dá-lo de presente pra ela, mas e se ela não fizesse nada com aquela informação, por medo, vergonha? Na dúvida, fiz o que mais gosto de fazer nessa vida: escrevi. Em muitas e muitas linhas de raiva, escrevi sobre como ele havia nos decepcionado e sobre como ele era burro por não perceber que bem ali, do seu lado, havia uma garota incrível. Uma garota que se apaixonou na primeira vez que o viu, em meio à neblina, 7 horas da manhã. Enviei a carta pelo correio e decidi contar à ela apenas no dia do seu aniversário, quando eu lhe entregasse o envelope com o endereço. E bom, foi difícil, mas consegui me segurar. Pelo menos até o dia antes da data. Estávamos na sala de aula, aguardando a professora entrar, quando ela me contou o sonho que teve. "Você me dava uma carta, com o endereço dele, e eu estava muito feliz". Me arrepiei inteira e, chocada, contei o que havia feito. Entreguei o envelope e me livrei daquele peso de esconder algo dela (e de carregar algo que, eu sabia, a faria muito feliz). No dia seguinte - o 19 de novembro de anos atrás - estávamos em sua casa, almoçando, quando o telefone tocou. Era ele. Sim, eu passei os contatos dela e disse que, em breve, ela faria aniversário. Sim, foi o melhor presente dela naquele ano. E sim, me senti a melhor pessoa do mundo ao vê-la ali, atordoada por ter escutado a voz dele.
Em casa, a dúvida era: o que fazer com ele? Pretendia dá-lo de presente pra ela, mas e se ela não fizesse nada com aquela informação, por medo, vergonha? Na dúvida, fiz o que mais gosto de fazer nessa vida: escrevi. Em muitas e muitas linhas de raiva, escrevi sobre como ele havia nos decepcionado e sobre como ele era burro por não perceber que bem ali, do seu lado, havia uma garota incrível. Uma garota que se apaixonou na primeira vez que o viu, em meio à neblina, 7 horas da manhã. Enviei a carta pelo correio e decidi contar à ela apenas no dia do seu aniversário, quando eu lhe entregasse o envelope com o endereço. E bom, foi difícil, mas consegui me segurar. Pelo menos até o dia antes da data. Estávamos na sala de aula, aguardando a professora entrar, quando ela me contou o sonho que teve. "Você me dava uma carta, com o endereço dele, e eu estava muito feliz". Me arrepiei inteira e, chocada, contei o que havia feito. Entreguei o envelope e me livrei daquele peso de esconder algo dela (e de carregar algo que, eu sabia, a faria muito feliz). No dia seguinte - o 19 de novembro de anos atrás - estávamos em sua casa, almoçando, quando o telefone tocou. Era ele. Sim, eu passei os contatos dela e disse que, em breve, ela faria aniversário. Sim, foi o melhor presente dela naquele ano. E sim, me senti a melhor pessoa do mundo ao vê-la ali, atordoada por ter escutado a voz dele.
