Assisti "Tudo acontece em Elizabethtown" umas três vezes, mas só na terceira percebi que me encaixo nessa teoria de pessoas substitutas. Isso pode soar meio depreciativo, mas não é. Trata-se apenas de uma tendência a ser sempre uma opção aleatória, nunca a primeira, nunca o motivo. Eu simplesmente estava ali, porque A não estava, porque A não quis, porque A não foi legal e de alguma forma a pessoa pensou que eu poderia ser. Talvez eu tenha demorado pra perceber que sou uma dessas pessoas substitutas. Talvez isso explique minha dificuldade em entender algumas coisas (que agora começam a fazer mais sentido). Por exemplo, o fato de não ser escolhida por alguém.
Sempre tentei procurar um motivo, um defeito em mim. Afinal, é obviamente mais fácil me menosprezar do que entender a realidade: a pessoa tem o direito de escolher (e quebrar a cara, por que não?). É muito egoísmo ficar mal porque alguém não te escolheu - entre tantas pessoas no mundo. "Mas ela está fazendo a escolha errada!", errada por quê? Só porque não é você?
Antes de esperar que você seja escolhida (o), tente pensar que, talvez, exista no mundo uma pessoa substituta como você. Que não foi a primeira opção de alguém, como você, mas será a sua primeira opção, assim como você será a dela.
"- Quer ouvir minha teoria?
- Claro.
- Você e eu temos um talento especial, percebi isso logo de cara.
- Me conta.
- Nós somos as pessoas substitutas.
- Os substitutos...
- Fui uma substituta a vida toda. Não sou uma "Ellen", nunca quis ser uma Ellen. Também não sou uma Cindy, embora os Chucks me amem.
- Tenho certeza que sim.
- Gosto de ficar sozinha. Quer dizer, estou com um cara casado com a carreira acadêmica. Raramente o vejo, sou a substituta lá. Gosto disso assim, é muito menos pressão.
- Não estou acostumado a garotas como você.
- É porque sou única.
- Não precisa fazer piada. Gosto de você sem as piadas."


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