terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Pessoas substitutas

Assisti "Tudo acontece em Elizabethtown" umas três vezes, mas só na terceira percebi que me encaixo nessa teoria de pessoas substitutas. Isso pode soar meio depreciativo, mas não é. Trata-se apenas de uma tendência a ser sempre uma opção aleatória, nunca a primeira, nunca o motivo. Eu simplesmente estava ali, porque A não estava, porque A não quis, porque A não foi legal e de alguma forma a pessoa pensou que eu poderia ser. Talvez eu tenha demorado pra perceber que sou uma dessas pessoas substitutas. Talvez isso explique minha dificuldade em entender algumas coisas (que agora começam a fazer mais sentido). Por exemplo, o fato de não ser escolhida por alguém.
Sempre tentei procurar um motivo, um defeito em mim. Afinal, é obviamente mais fácil me menosprezar do que entender a realidade: a pessoa tem o direito de escolher (e quebrar a cara, por que não?). É muito egoísmo ficar mal porque alguém não te escolheu - entre tantas pessoas no mundo. "Mas ela está fazendo a escolha errada!", errada por quê? Só porque não é você?

Antes de esperar que você seja escolhida (o), tente pensar que, talvez, exista no mundo uma pessoa substituta como você. Que não foi a primeira opção de alguém, como você, mas será a sua primeira opção, assim como você será a dela.



"- Quer ouvir minha teoria? 
- Claro. 
- Você e eu temos um talento especial, percebi isso logo de cara. 
- Me conta. 
- Nós somos as pessoas substitutas. 
- Os substitutos... 
- Fui uma substituta a vida toda. Não sou uma "Ellen", nunca quis ser uma Ellen. Também não sou uma Cindy, embora os Chucks me amem. 
- Tenho certeza que sim. 
- Gosto de ficar sozinha. Quer dizer, estou com um cara casado com a carreira acadêmica. Raramente o vejo, sou a substituta lá. Gosto disso assim, é muito menos pressão. 
- Não estou acostumado a garotas como você. 
- É porque sou única. 
- Não precisa fazer piada. Gosto de você sem as piadas."

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