segunda-feira, 12 de maio de 2014

Doce meio azedo


Sentamos à mesa, esperamos o café. Seria um café dos bons: tinha bolo de morango. Sentei, me servi, perguntei se podia comer o morango do topo do bolo. Eu sempre pergunto se posso. "E você sempre gostou de morango", disse minha mãe.

Sim, eu sempre gostei de morango mesmo e comer o bolo feito a partir da fruta é voltar aos meus seis anos, é voltar a um tempo onde pedir o morango do topo do bolo era desnecessário, pois o morango do topo do bolo já era meu. 

"Quando você era pequena", ela continuou, "só queria coisas de morango. Roupas de morango, sapatos de morango, bala, pirulito, bolo. Tudo tinha que ser de morango ou cheirar a morango", falou. Sorri ao lembrar que, ainda hoje, separo as balinhas de goma vermelhas das amarelas, verdes e laranjas. Sorri ao lembrar que, ainda hoje, não troco um sorvete de morango por qualquer outro sabor. Sorri ao constatar que algumas coisas nunca mudam e que o doce meio azedo ainda me atrai muito.