quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Mergulhar de cabeça é perigoso

O processo de conhecer alguém é sempre complicado, frágil, "pisando em ovos", como dizem. E, mesmo depois de consecutivas decepções, você resolve confiar, abrir sua vida, sua casa, seus amigos, suas preferências, seus sentimentos. Mas a outra pessoa não mergulha tão fundo assim, fica no raso, na beirada, observando você se afogar naquele marzão de sentimento. E mostra quem realmente é, depois que o período de teste termina e as máscaras construídas por interesses caem. E te decepciona, te magoa, tão fundo quanto aquele mergulho solitário. E tanto quanto todas aquelas outras decepções consecutivas e acumuladas. "Mais uma", você pensa. E fica o sentimento de que todo o processo não vale a pena. E que esse é um looping eterno.


domingo, 1 de fevereiro de 2015

De mãos dadas


Fazia sol finalmente. Andavam por ruas movimentadas, lado a lado, contemplando cada indivíduo diferente, cada monumento e sua singuralidade. Os prédios altos, imponentes no seu cinza iluminado por aquele dia atípico. Ela sabia o motivo pelo qual fazia sol. Fazia sol para ele. Fazia sol para eles. Era a vida, mais uma vez, conspirando para que pudessem estar ali, juntos, quentes, corados, felizes naquele pequeno e curto espaço de tempo disponível. O calor com brisa leve e ar fresco passeava entre eles e suas mãos. Suas mãos. Entrelaçadas. Era tudo tão simples, fácil, mas perfeito, leve, doce, macio, suave. E quando finalmente cada terminação nervosa se acalmava diante do toque dele, seus lábios tocaram a mão dela e antes que a vida decidisse acordá-los daquele sonho, ela o encarou e o beijou. Ali, em meio às ruas movimentadas e seus monumentos imponentes. Em meio ao barulho que, de repente, ficara mudo. Nada mais existia ou importava e mesmo que tenham, cada qual, seguido seus caminhos distintos e distantes, isso foi o melhor que 2014 deixou.