sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

We could light a whole city

não sou a mulher mais ligada ao movimento feminista que conheço, mas conheço muitas que são, algumas delas, boas amigas.

e conviver e conversar com elas, junto a um amadurecimento natural, me faz perceber e entender algumas coisinhas.

já teve cara que terminou comigo porque fiz tatuagem, "achei que você fosse parar", ele disse.
já teve cara que, ao me encontrar, olhava minhas unhas pra se certificar de que eu as havia pintado.
já teve cara que me pediu pra não conversar com outros caras, porque ele tinha medo de que eu gostasse de algum deles.
já teve cara que ficou de cara porque eu não queria beber mais.
já teve cara que se irritou com alguma selfie minha e os likes que ela recebeu.

todas essas são formas (nada) veladas de exercer uma arbitrariedade sobre mim, sobre quem eu era e quem eu sou. foram formas de tentar me encaixar nas visões que eles tinham de par ideal. formas opressoras, sim, de me fazer sentir mal, de me fazer questionar, de me fazer olhar pro próprio umbigo e me sentir um lixo.

e, claro, sempre teve uma Greyci pra aceitar cada manifesto de submissão e permitir deixar morrer mais um pedaço de Greyci, se sentir pela metade.

mas quando a gente desperta, rapaz, é melhor desviar. porque completa a gente ilumina a cidade. a gente bota fogo em tudo.