"ela não pode ver meu rosto assim", pensou, a caminho do hospital.
era dia de visita, cheio de ansiedade.
olhava pra trás à procura do irmão. nada.
"não acredito que ele vai se atrasar".
depois de trancar a bolsa no armário e fechá-lo com o cadeado lembrou que dali alguns dias ela receberia alta.
sorriu.
o ponteiro maior do relógio na parede se aproximava do número 15.
a porta da entrada de visitas do hospital se abriu e nada do irmão.
se deixou ficar pra trás, na esperança de que ele chegasse logo e pudessem entrar juntos.
o ponteiro avançava. chegava ao 20.
"ela já deve estar nos procurando".
entrou sozinha.
cumprimentou com a cabeça todos aqueles pacientes no pátio, também à espera de visitas que, ela sabia, não viriam.
"onde ela está? achou que eu não vinha, ficou triste e foi pra dentro? cadê"?
o sorriso dá lugar à preocupação.
uma mão acenando.
abaixo do braço esticado, um sorriso banguela a espera.
- mãe! ah, mãe!
sentou no banco ao seu lado e chorou. chorou no ombro de quem havia consolado nos últimos quase 40 dias.
e mesmo sem saber por que a filha chorava, a mãe também chorou.
- eu te amo, minha filha.
- eu também te amo, mãe.
